Mercado projeta barril de petróleo a US$ 130; novo reajuste dos combustíveis pode sair esta semana

Estimativa de alta do petróleo leva em consideração a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, além da capacidade da China de vencer a covid-19

15/06/2022 07h33 - Atualizada em 17/06/2022 16h14
Por Redação (Editorias)

Enquanto o governo tenta encontrar saídas para a redução do preço dos combustíveis - como o projeto que limita a cobrança de ICMS em 17%, aprovado na segunda-feira, 13, no Senado -, o preço do petróleo segue elevado no mercado internacional, aumentando as pressões por um novo reajuste. Nesta terça-feira, 14, o preço do óleo tipo Brent fechou cotado a US$ 121,17, em queda de 0,90%, enquanto o petróleo WTI encerrou o dia cotado a US$ 118,93, em queda de 1,65%.

Bancos e corretoras acreditam que o preço do petróleo pode passar de US$ 130 o barril no médio prazo e chegar até o fim do ano em US$ 150, como previu o Morgan Stanley em relatório divulgado recentemente. O movimento leva em consideração a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, além da capacidade da China de vencer a covid-19.

Preço do petróleo segue em alta no mercado internacional, aumentando as pressões por um novo reajusteEsse movimento de alta pressiona ainda mais os preços no mercado brasileiro. Atualmente, os preços do diesel e da gasolina acumulam uma defasagem de 16% em relação ao mercado externo. Além do preço do barril em alta, a cotação do dólar, que voltou a atingir a casa dos R$ 5,10, também acaba influenciando os preços no mercado interno.

Com esse cenário, a expectativa é que a Petrobras anuncie um reajuste, pelo menos para o diesel, ainda esta semana, segundo fontes ligadas às estatal ouvidas pelo Estadão/Broadcast. O governo federal, no entanto, vem fazendo todos os esforços para evitar isso. A gasolina está há 95 dias sem aumento, enquanto o diesel está congelado há 32 dias

O congelamento do preço dos combustíveis tem sido buscado pelo governo para tentar segurar a inflação. A economia é um dos fatores que têm prejudicado a campanha do presidente da República, Jair Bolsonaro, a reeleição. Bolsonaro tem sido um crítico feroz da política de preços da Petrobras, que acusa de ter lucros excessivos. Três presidentes da estatal já foram demitidos nos três anos e meio de sua gestão.

Mas, na Petrobras, segundo fontes, o clima é de que o aumento não pode passar desta semana, visto que a crise global ameaça o País de desabastecimento, principalmente de diesel a partir de agosto. Na semana passada, a companhia enviou uma nota à imprensa alertando para dificuldades no mercado global de diesel e reafirmou sua política de preços alinhados aos do mercado internacional, única forma de manter as importações ativas por outros agentes e assim evitar a falta do combustível no País.

Na manhã da última sexta-feira, 10, o diretor de relações Institucionais e Sustentabilidade da estatal, Rafael Chaves, criticou indiretamente, as tentativas de controle do governo. "Se a gente achar que tem alguém iluminado, no Legislativo, Executivo ou Judiciário, que é iluminado e usa a caneta para definir preços, estamos errados", afirmou.

"A defasagem dos preços dos combustíveis é grande e será difícil a Petrobras não fazer mais um repasse de preços. Se não fizer isso, o mercado enxerga como intervenção na estatal", diz Carlos Castrucci, sócio fundador da HOA Asset.

Preços futuros

Para Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, apesar da guerra no leste europeu, o que vai comandar o preço do petróleo será, principalmente, a capacidade da China de conseguir vencer a onda de covid em Shangai e Pequim e voltar ao seu normal. "Trabalhar com o barril a US$ 150 é considerar que a oferta continue escassa de petróleo e a economia global se recupere. Mantidas as condições atuais, ficar entre US$ 120 e US$ 140 parece razoável", diz.

O banco Goldman Sachs diz que o Brent deve bater US$ 135 o barril para mitigar o problema de escassez da commodity. Para o Bank of America, O WTI deve em breve chegar a US$ 140.

João Frota, analista da Senso Investimentos, diz que a visibilidade é turva para se falar em preços futuros do Brent e WTI, já que a variável mais importante em jogo é a guerra da Rússia com a Ucrânia. Para Frota, na hipótese do conflito ser resolvido no curto prazo, a cotação da commodity deve ficar mais próxima de US$ 90 o barril. Na hipótese de um prolongamento da guerra, que é o cenário mais viável, o preço futuro do barril deve ficar entre US$ 125 e US$ 130.

"Temos de olhar não apenas a questão da oferta e demanda atual, que está ajustada e equilibrada. Os Estados Unidos estão voltados para a produção de energia limpa no governo de Joe Biden e puxa a demanda da commodity (além do preço). Mas a hipótese de um freio forte na economia dos EUA é bem plausível, visto a alta dos juros", afirma Frota.

Por aqui, diz o analista, o estatuto da Petrobras acaba blindando a empresa de intervenções mais exageradas nos preços. Para ele, o que o presidente da República pode fazer, e tem feito, é demitir o presidente da companhia.

Castrucci, da HOA Asset, diz que há muita coisa na mesa que dificulta estimar o preço do barril do petróleo. Ao mencionar a oferta, ele diz que há problema com a guerra no leste europeu, o que significa que, enquanto houver sanções à Rússia, haverá pressão nos preços.

"Mas não se sabe o dia de amanhã. Se o conflito for encerrado, é possível que a pressão sobre a oferta seja reduzida. Do lado da demanda, ainda estamos vendo aquecimento por petróleo e energia, mas estamos à beira de uma potencial desaceleração ou até recessão global", comenta.

Produção maior

Sobre a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de elevar a produção da commodity em 648 mil barris por dia (bpd) em julho, Castrucci diz que a medida é insuficiente para equilibrar as relações de oferta e demanda. A medida foi tomada há uma semana, após o cartel observar a reabertura recente de grandes economias que estavam em quarentena, além da previsão de que o refinamento global do óleo "aumente após manutenção sazonal".


Wagner Gomes, Gabriel Vasconcelos e Denise Luna | Estadão

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